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Assassinato do promotor Thiago Faria: Estado promete resposta rápida

Pernambuco  Investigação


Secretário de Defesa Social, Wilson Damázio, informou que há suspeitos da execução do promotor Thiago Faria Soares e que dará resposta rápida para a sociedade


  O assassinato de um promotor em uma estrada na violenta região de Itaíba, no Agreste Meridional, provocou uma reação das autoridades à altura da brutalidade do crime. Cinquenta policiais comandados por três procuradores da República e dois membros do Conselho Nacional do Ministério Público Federal vão tentar descobrir quem disparou os quatro tiros de espingarda calibre 12 que mataram Thiago Faria Soares, 36 anos, às 9h de ontem, na PE-300, entre Águas Belas e Itaíba, onde atuava desde janeiro. A polícia já tem uma linha principal de investigação. Mas não antecipou o que teria motivado o assassinato. Informações extraoficiais dão conta de que um conflito agrário está na raiz da execução. A noiva do promotor, Mysheva Martins, e um tio dela estavam no veículo e escaparam ilesos.
 
SDS já tem linha de investigação
 
  A polícia já tem uma linha de investigação para o assassinato do promotor Thiago Faria Soares, 36 anos, ocorrido na manhã de ontem por volta das 9h, na PE-300, entre Itaíba e Águas Belas, onde ele morava. Segundo o secretário de Defesa Social, Wilson Damázio, o promotor foi seguido por um Uno preto. Um dos ocupantes do veículo atirou e o carro parou no acostamento. Em seguida, foram desferidos mais três tiros que o mataram. Cerca de 20 disparos foram efetuados ao todo. A perícia apontou que a arma usada no crime foi uma espingarda calibre 12.
 
  Os quatro tiros atingiram a cabeça e pescoço do promotor. A noiva de Thiago, Mysheva Freire Ferrão Martins, e o tio dela, Adautivo Elias Martins, que estavam no carro, não foram atingidos. Na noite de ontem, foi realizada uma reunião na sede provisória do governo, no Centro de Convenções, com o governador Eduardo Campos (PSB), o procurador-geral do Estado, Aguinaldo Fenelon, e o secretário Wilson Damázio.
 
  "Temos suspeitos do crime, estamos fazendo investigações e em pouco tempo daremos a resposta que o caso requer", disse Damázio, acrescentando que já foram expedidos mandados de prisão. O secretário informou, ainda, que já tem uma linha principal de investigação, mas que não iria divulgar para não atrapalhar a apuração do caso.
 
  Cerca de 50 policiais estão envolvidos na investigação. O helicóptero da SDS também está dando apoio. Durante a reunião, Eduardo Campos entrou em contato com o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que designou três procuradores e dois conselheiros para atuarem em conjunto com a polícia pernambucana nas investigações. O grupo chega no final da manhã ao Recife e deve se reunir com Fenelon e Damázio. Na noite de ontem, o corpo do promotor foi trazido ao Recife para ser necropsiado no Instituto de Medicina Legal. Em seguida, seria levado a Águas Belas.
 
  "Estamos pegando o que temos de mais experiência e competência para ir de forma rápida e segura à solução do crime", disse o governador. "Os procuradores têm experiência na área criminal. Existe um grupo nacional de combate ao crime, que já foi acionado", acrescentou Fenelon. O procurador-geral informou, ainda, que conversou com a noiva de Faria. "Ela deu informações muito importantes, mas não podemos repassá-las, pois podem ajudar a elucidar o crime", explicou. Fenelon disse que o promotor Thiago Faria não comunicou nenhum tipo de ameaça que estivesse sofrendo.
 
  Segundo o secretário Wilson Damázio, pelo menos duas pessoas participaram do crime. "Como ele foi seguido em um carro, uma pessoa estava dirigindo e outra atirou", explicou. Damázio acredita que, apesar de outras pessoas estarem no veículo, o alvo do crime era apenas o promotor. "Os executores tiveram a oportunidade de matar as outras pessoas e não fizeram porque não quiseram", detalhou.
 
  As investigações apontam que os disparos foram feitos por um dos homens, que se aproximou do veículo do promotor e atirou. O promotor atuava no Fórum de Itaíba, para onde se dirigia quando foi morto. Os tiros atingiram as laterais e a frente do veículo, um Hyundai Vera Cruz, que ficou bastante danificado. Um policial militar acrescentou que o corpo do promotor ficou desfigurado.
 
FUGA
 
  Segundo o delegado Antônio Júnior, a noiva do promotor conseguiu pular do carro. Ela sofreu apenas escoriações. O tio dela se abaixou no banco de trás e também não se feriu. Mysheva Martins mora em Águas Belas e trabalha em Itaíba. Ela é parente do prefeito da cidade, Juliano Martins (PSDB), e do irmão dele, o deputado estadual Claudiano Martins (PSDB).
 
  O procurador-geral Aguinaldo Fenelon esteve no local do crime na manhã de ontem para acompanhar o início das investigações.